Eu não imaginava a rapidez. Tão logo ele saiu e já me envolvi. Flertávamos há anos, porém uma relação daquelas ainda não havia experimentado.
Nas três noites que estive só, eram três a ocupar o espaço vazio da cama e a me envolver até que adormecesse.
O casamento não havia permitido uma vivência tão intensa, portanto reflito que se não tivesse oficializado meu sério relacionamento, teria uma vida promíscua, de trocas a todo o momento. Estariam espalhados pela casa, pelo quarto, sobre os lençóis.
Após os três dias de viagem, ele voltou e, no cenário ainda intacto, se quer reparou no seu espaço ocupado. De certa forma, ele entende o romance, sabe do inevitável, já não há desconfiança ou suspeita.
Direcionei-os para o local adequado, onde se dispõem ao meu ataque. Estão ali, para mim, e eu os desejo quase que em todos os momentos, deliciosos e sábios livros.
domingo, 11 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Relatos que perturbam
Passar a Páscoa sozinha e estudando me faz comer ainda mais chocolate. Ah! Quantas calorias... E como são indispensáveis.
Sobre a última publicação, afirmo que o ano começou faz tempo. Ainda mais com o prazo do mestrado apertadíssimo.
Dos meados da graduação aos dias atuais, questiono-me sobre minha primeira opção de curso, Jornalismo. Deveria ter sido Ciências Sociais? Serviço Social? A verdade é que não há resposta, pois são grandes paixões. A melhor opção é experimentá-las, algo que faço desde o meu ingresso na pós-graduação, há quase três anos.
A prática jornalística é uma eficiente ferramenta para a organização do singelo conhecimento que tenho adquirido nas facetas das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. A escrita e leitura são relevantes.
Ouvi de amigos pesquisadores que ao me aproximar do objeto de estudo – um determinado ser humano, no meu caso – certamente teria insights inesperados e frequentes e que chegaria a perder algumas horas de sono, além de outros sintomas.
No meu caso ocorre tudo o que me foi indicado, afinal, como já publiquei em outras mídias sociais, “relatos de mulheres presas são instigantes, perturbadores e, por vezes, inacreditáveis”.
Não desgrudo do meu caderno de campo, ao qual recorro para registrar palavras ouvidas, imagens, instantes. É ele o meu único cúmplice de pensamentos ligeiros e inquietos.
Sobre a última publicação, afirmo que o ano começou faz tempo. Ainda mais com o prazo do mestrado apertadíssimo.
Dos meados da graduação aos dias atuais, questiono-me sobre minha primeira opção de curso, Jornalismo. Deveria ter sido Ciências Sociais? Serviço Social? A verdade é que não há resposta, pois são grandes paixões. A melhor opção é experimentá-las, algo que faço desde o meu ingresso na pós-graduação, há quase três anos.
A prática jornalística é uma eficiente ferramenta para a organização do singelo conhecimento que tenho adquirido nas facetas das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. A escrita e leitura são relevantes.
Ouvi de amigos pesquisadores que ao me aproximar do objeto de estudo – um determinado ser humano, no meu caso – certamente teria insights inesperados e frequentes e que chegaria a perder algumas horas de sono, além de outros sintomas.No meu caso ocorre tudo o que me foi indicado, afinal, como já publiquei em outras mídias sociais, “relatos de mulheres presas são instigantes, perturbadores e, por vezes, inacreditáveis”.
Não desgrudo do meu caderno de campo, ao qual recorro para registrar palavras ouvidas, imagens, instantes. É ele o meu único cúmplice de pensamentos ligeiros e inquietos.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Minhas férias
Santa Maria! Faz muito tempo que não escrevo uma redação intitulada “Minhas férias”, aquela de praxe no ensino fundamental. Acredito que seja a hora, já que voltei há pouco de bons dias de descanso.
Outros ares fazem bem, servem pra mim, pra família toda, ainda melhor quando tem mar, areia limpa, sol, calorão, gente amiga.
Todo ano, entre dezembro e janeiro, espero os dias de ficar instantes sentada numa sombra – adoro sol, mas não rachando nos meus cachos – olhar o mar, andar pra lá e pra cá, sentir a ondinha na canela.
Ainda bem, consigo executar isso há anos, no entanto sempre com mudanças. Nestas férias, além de brincar com João Pedro, meu filho mais velho, tivemos, o maridão e eu, de dar conta do caçula de 10 meses. Trabalho dobrado... E apaixonante.
Muita água para os dois, muita fruta, saladas, brincadeiras, vale molhar a roupa, sujar também, pode cair, chorar, sorrir até cansar. Até salgadinho, bolacha, sorvete, bala – quem me conhece sabe a disciplina quanto a isso – ficaram um tanto “liberados” pro rapaz de cinco anos. Dançamos, corremos, mergulhamos, andamos ao pôr do sol, à luz da lua.
Às vezes rezávamos pro dia acabar, tamanho era o cansaço. Em poucas horas, a bateria era recarregada para o próximo dia.
Deliciosas, assim foram as férias. Fotos e vídeos vão contar a história.
Estou pronta pra 2010, que pasmem ou invejem, pra mim ainda não começou.
Outros ares fazem bem, servem pra mim, pra família toda, ainda melhor quando tem mar, areia limpa, sol, calorão, gente amiga.
Todo ano, entre dezembro e janeiro, espero os dias de ficar instantes sentada numa sombra – adoro sol, mas não rachando nos meus cachos – olhar o mar, andar pra lá e pra cá, sentir a ondinha na canela.
Ainda bem, consigo executar isso há anos, no entanto sempre com mudanças. Nestas férias, além de brincar com João Pedro, meu filho mais velho, tivemos, o maridão e eu, de dar conta do caçula de 10 meses. Trabalho dobrado... E apaixonante.
Muita água para os dois, muita fruta, saladas, brincadeiras, vale molhar a roupa, sujar também, pode cair, chorar, sorrir até cansar. Até salgadinho, bolacha, sorvete, bala – quem me conhece sabe a disciplina quanto a isso – ficaram um tanto “liberados” pro rapaz de cinco anos. Dançamos, corremos, mergulhamos, andamos ao pôr do sol, à luz da lua.
Às vezes rezávamos pro dia acabar, tamanho era o cansaço. Em poucas horas, a bateria era recarregada para o próximo dia.
Deliciosas, assim foram as férias. Fotos e vídeos vão contar a história.
Estou pronta pra 2010, que pasmem ou invejem, pra mim ainda não começou.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Registrar instantes
Escrever algo não vinculado ao mestrado é um desafio. Mas, ontem, fui tomada por um desses sentimentos de quem escreve pra registrar algo, em algum lugar, que possa ser acessado mais tarde. Se eu não tivesse um blog, seria um diário, um caderno, meios de sentir de novo a sensação de um instante.
Ser mãe às vezes acontece, comigo foram duas vezes: uma inesperada, a outra um pouco pensada. Ser mãe pode ser projeto de vida ou até mesmo um anti-projeto. O papel da mãe contemporânea é também um ofício, dentre tantos outros exercidos pela mulher, no entanto não há ganhos financeiros, há a possibilidade de outros bens, que adjetivo como eternos.
Um deles vivenciei na manhã de ontem. Algumas palminhas desajeitadas do Luiz Antônio, com oito meses, seguidas de um tchau: mão aberta para o alto e pronto, é um tchau.
Balbucios como “mama” também encantam, mesmo não tendo a certeza de que são sinônimo do tão esperado mamãe.
Os cinco minutos de redação destas linhas são uma vitória do pensamento, por vezes interrompido por uma fralda a trocar, um choro faminto ou um projeto quase pronto.
Estou convicta que a vida é mesmo feita de momentos. Não quero esquecer o rosto do bebê feliz por alcançar as palminhas de ontem. Ufa! Registro feito!
Ser mãe às vezes acontece, comigo foram duas vezes: uma inesperada, a outra um pouco pensada. Ser mãe pode ser projeto de vida ou até mesmo um anti-projeto. O papel da mãe contemporânea é também um ofício, dentre tantos outros exercidos pela mulher, no entanto não há ganhos financeiros, há a possibilidade de outros bens, que adjetivo como eternos.
Um deles vivenciei na manhã de ontem. Algumas palminhas desajeitadas do Luiz Antônio, com oito meses, seguidas de um tchau: mão aberta para o alto e pronto, é um tchau.
Balbucios como “mama” também encantam, mesmo não tendo a certeza de que são sinônimo do tão esperado mamãe.
Os cinco minutos de redação destas linhas são uma vitória do pensamento, por vezes interrompido por uma fralda a trocar, um choro faminto ou um projeto quase pronto.
Estou convicta que a vida é mesmo feita de momentos. Não quero esquecer o rosto do bebê feliz por alcançar as palminhas de ontem. Ufa! Registro feito!
terça-feira, 7 de julho de 2009
Enfim, o campo
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Desde 2007, quando fui aprovada no mestrado em Serviço Social (PUC-SP), firmei comigo o compromisso de relatar a minha ida ao sistema prisional feminino como pesquisadora e, desta maneira, abrir discussão sobre o assunto. Acredito que um blog seja uma ferramenta eficiente, por isso, vamos lá!
Na minha casa ninguém entra sem bater e, muito menos, tira fotos da sala, do varal, da cozinha, sem que eu permita. No dia 26 de junho, enfim, fui a campo a fim de pesquisar as mulheres presas. De frente às celas, não me apresentei e tirei fotos sem pedir, exatamente como não gostaria de ser tratada.
A primeira reação foi uma breve correria, as mulheres esconderam o rosto na Cadeia Pública de Itupeva. Diziam bravas “não, não”. Demorou um pouco, mas compreendi. As circunstâncias não permitiam que agisse dessa forma, elas não eram animais enjaulados no zoológico e não estavam ali pra suprir a minha curiosidade de ver de perto quem faz o mundo do crime. Eram seres humanos atrás das grades.
Na minha casa ninguém entra sem bater e, muito menos, tira fotos da sala, do varal, da cozinha, sem que eu permita. No dia 26 de junho, enfim, fui a campo a fim de pesquisar as mulheres presas. De frente às celas, não me apresentei e tirei fotos sem pedir, exatamente como não gostaria de ser tratada.
A primeira reação foi uma breve correria, as mulheres esconderam o rosto na Cadeia Pública de Itupeva. Diziam bravas “não, não”. Demorou um pouco, mas compreendi. As circunstâncias não permitiam que agisse dessa forma, elas não eram animais enjaulados no zoológico e não estavam ali pra suprir a minha curiosidade de ver de perto quem faz o mundo do crime. Eram seres humanos atrás das grades.
Nós, os pesquisadores da PUC-SP, entrevistamos três das cerca de 60 presas daquele lugar. Elas usavam chinelos de dedo e as unhas dos pés pintadas. Mesmo não sendo adequado, havia naquela cadeia uma adolescente em cela separada.
Algemas no parto
M. contou que não acreditava que voltaríamos, afinal há poucas semanas o piloto dessa pesquisa já havia começado e uma primeira entrevista sido feita. As duas filhas que tem, uma de 11 meses e a outra de quatro anos, estão com duas irmãs diferentes. “A menor quando me vê estranha um pouco”, conta.
A mãe não pode visitá-la, pois também tem passagem pela cadeia e assim manda a regra, a lei.
A história desta presa acontece em Americana. Sempre morou em favela, barraco, mas também ficou em abrigo durante cinco anos até que a avó - sua referência - a pegasse para criar. A mãe não tinha condições financeiras para isso. Era comum ouvir “olha lá a favelada”, lembra.
Das seis passagens pela cadeia, M. assume que nas duas últimas era culpada, as demais são descritas como perseguição da polícia. Em novembro estará em semi-aberto, segundo ela. Delitos? Sempre o tráfico.
O retorno tantas vezes pra cadeia é pela falta de oportunidade de trabalho. “Não tem jeito, muita gente volta pra cá”, justifica.
Estava grávida na última vez que foi presa. Foi para o Butantã quando a gestação já estava avançada, lá ficou até a filha ter seis meses e retornou à Itupeva. Ao Hospital Mandaqui foi levada para ter a caçula. Das algemas que a acompanharam em todo trabalho de parto foi libertada – a meu ver – tarde demais. “Só tiraram quando estava nascendo”, conta.
Passou pelo ginecologista apenas quando a nenê nasceu. Para ela, o trabalho - como atividade e para a diminuição da pena - e o atendimento médico são os fatores que mais fazem falta naquele local.
Ela relata que ali não há o que fazer desde as 10h, quando as celas são abertas, às 17h, quando são fechadas. Cabe a elas apenas jogar truco...
Algemas no parto
M. contou que não acreditava que voltaríamos, afinal há poucas semanas o piloto dessa pesquisa já havia começado e uma primeira entrevista sido feita. As duas filhas que tem, uma de 11 meses e a outra de quatro anos, estão com duas irmãs diferentes. “A menor quando me vê estranha um pouco”, conta.
A mãe não pode visitá-la, pois também tem passagem pela cadeia e assim manda a regra, a lei.
A história desta presa acontece em Americana. Sempre morou em favela, barraco, mas também ficou em abrigo durante cinco anos até que a avó - sua referência - a pegasse para criar. A mãe não tinha condições financeiras para isso. Era comum ouvir “olha lá a favelada”, lembra.
Das seis passagens pela cadeia, M. assume que nas duas últimas era culpada, as demais são descritas como perseguição da polícia. Em novembro estará em semi-aberto, segundo ela. Delitos? Sempre o tráfico.
O retorno tantas vezes pra cadeia é pela falta de oportunidade de trabalho. “Não tem jeito, muita gente volta pra cá”, justifica.
Estava grávida na última vez que foi presa. Foi para o Butantã quando a gestação já estava avançada, lá ficou até a filha ter seis meses e retornou à Itupeva. Ao Hospital Mandaqui foi levada para ter a caçula. Das algemas que a acompanharam em todo trabalho de parto foi libertada – a meu ver – tarde demais. “Só tiraram quando estava nascendo”, conta.
Passou pelo ginecologista apenas quando a nenê nasceu. Para ela, o trabalho - como atividade e para a diminuição da pena - e o atendimento médico são os fatores que mais fazem falta naquele local.
Ela relata que ali não há o que fazer desde as 10h, quando as celas são abertas, às 17h, quando são fechadas. Cabe a elas apenas jogar truco...
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Olha a bunda dela!
Há meses ensaio para inaugurar um blog, colocar na rede idéias, reflexões, notícias, trajetos e tantas outras coisinhas, mas adiava, era preguiça mesmo. No entanto, a “manchete" acima foi decisiva, não podia mais esperar.
Pensava em inaugurá-lo na minha pesquisa de campo do mestrado, com as sujeitas que são meus objetos de estudo: mulheres encarceradas, negras e grávidas da Penitenciária Feminina de Santana. Não pude esperar.
Numa banca de jornal nada rebuscada, na ZN de São Paulo, sabadão, estávamos em família. O maridinho estava na caça de umas revistas, eu ia atrás de outras e o filho observava e folheava sem jeito páginas coloridas de super-heróis, Turma da Mônica e o que mais tivesse ao seu alcance e chamasse a atenção.
Tinha Veja, Cláudia, Caros Amigos e tantas outras .
Enquanto pagávamos ao senhor do caixa, certamente o dono daquele espaço, fomos surpreendidos, pais jovens que somos, pela exclamação do rebento: “Olha, mãe, a bunda dela”! Era a bunda tatuada da Mulher Melancia, na capa da Playboy.
Um tanto desconcertada, confesso, na banca cheia de gente, peguei delicadamente a revista da mão da criança, dizendo um “é, filho” e nada mais. Os pequenos insistem quando a resposta é insuficiente. Ele estava satisfeito, não precisou de outros comentários.
Eu fiquei pensativa. As "pegadinhas" dos filhos começam cedo e exercitam o molejo na cintura e a reflexão na cabeça. Do que se faz a atualidade? Sem prévias conclusões, meu rebento tem apenas três anos.
Pensava em inaugurá-lo na minha pesquisa de campo do mestrado, com as sujeitas que são meus objetos de estudo: mulheres encarceradas, negras e grávidas da Penitenciária Feminina de Santana. Não pude esperar.
Numa banca de jornal nada rebuscada, na ZN de São Paulo, sabadão, estávamos em família. O maridinho estava na caça de umas revistas, eu ia atrás de outras e o filho observava e folheava sem jeito páginas coloridas de super-heróis, Turma da Mônica e o que mais tivesse ao seu alcance e chamasse a atenção.
Tinha Veja, Cláudia, Caros Amigos e tantas outras .
Enquanto pagávamos ao senhor do caixa, certamente o dono daquele espaço, fomos surpreendidos, pais jovens que somos, pela exclamação do rebento: “Olha, mãe, a bunda dela”! Era a bunda tatuada da Mulher Melancia, na capa da Playboy.
Um tanto desconcertada, confesso, na banca cheia de gente, peguei delicadamente a revista da mão da criança, dizendo um “é, filho” e nada mais. Os pequenos insistem quando a resposta é insuficiente. Ele estava satisfeito, não precisou de outros comentários.
Eu fiquei pensativa. As "pegadinhas" dos filhos começam cedo e exercitam o molejo na cintura e a reflexão na cabeça. Do que se faz a atualidade? Sem prévias conclusões, meu rebento tem apenas três anos.
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